Uma mudança pequena que costuma gerar uma grande dúvida

Em determinado momento, muitos tutores percebem uma espécie de névoa azulada, acinzentada ou branca nos olhos do cão. A mudança pode aparecer primeiro sob determinada luz, em uma fotografia ou quando o pet olha de lado. A pergunta quase sempre surge imediatamente: “Ele está com catarata?”

A preocupação é legítima, mas a aparência, sozinha, não confirma a causa. Uma alteração natural do envelhecimento chamada esclerose nuclear também pode produzir um aspecto azulado. Além disso, problemas na córnea, inflamações internas e outras doenças oculares podem modificar a transparência do olho.1 2

O mais importante não é tentar fechar o diagnóstico em casa. É perceber a mudança, observar se ela veio acompanhada de alterações no comportamento ou de desconforto e procurar uma avaliação veterinária.

Antes de pensar no nome da doença, observe o que mudou

Uma fotografia tirada em outro ângulo pode ajudar a comparar a evolução, mas não deve ser usada para autodiagnóstico. Ao notar alteração na cor dos olhos, vale observar quatro aspectos:

O que observar Por que importa
Um ou os dois olhos Algumas condições são bilaterais; outras começam de um lado ou decorrem de trauma localizado.
Mudança gradual ou repentina Evoluções rápidas merecem atenção especial, principalmente se houver dor ou perda visual.
Presença de dor ou secreção Olho fechado, coceira, vermelhidão e secreção indicam que pode haver mais do que uma alteração do envelhecimento.
Comportamento visual Esbarrões, hesitação em escadas e insegurança no escuro ajudam a estimar o impacto funcional.

Cães se adaptam bem quando a visão piora gradualmente. Por isso, às vezes o tutor percebe o olho diferente antes de notar qualquer limitação na rotina.

Catarata e esclerose nuclear podem parecer iguais em casa

O cristalino é uma lente transparente localizada dentro do olho. Ele ajuda a direcionar a luz até a retina, onde a imagem começa a ser processada. Na catarata, proteínas do cristalino sofrem alterações e formam áreas opacas que dificultam a passagem da luz.2

A esclerose nuclear, também chamada de esclerose lenticular, ocorre quando as fibras do cristalino ficam mais compactadas com o envelhecimento. O olho adquire uma aparência azul-acinzentada, geralmente nos dois lados, mas continua permitindo a passagem parcial da luz. Em muitos cães, a percepção de detalhes diminui discretamente, sem evolução para cegueira.2

Característica Esclerose nuclear Catarata
Associação mais comum Envelhecimento Hereditariedade, diabetes, trauma, inflamação ou outras causas
Aparência típica Névoa azulada e translúcida Opacidade branca ou acinzentada de intensidade variável
Efeito sobre a visão Geralmente discreto Pode ser progressivo e importante
Tratamento Monitoramento conforme avaliação Acompanhamento e possível cirurgia, conforme o caso

Essa comparação orienta, mas não substitui o exame. Um cão pode apresentar esclerose nuclear e outra doença ocular ao mesmo tempo.

Cinco situações que podem estar por trás de uma catarata

A catarata não é uma consequência inevitável da idade. Ela pode aparecer em diferentes fases da vida e por razões distintas.

  • 1. Predisposição hereditária
    Algumas linhagens e raças apresentam maior predisposição. Nesses casos, a alteração pode surgir em animais relativamente jovens, mesmo sem outra doença aparente.
  • 2. Diabetes
    O excesso de glicose modifica o equilíbrio de água no cristalino e pode acelerar sua opacificação. A Cornell University informa que uma parcela expressiva dos cães diabéticos desenvolve catarata no primeiro ano após o diagnóstico, inclusive quando a doença metabólica está sendo tratada.2
  • 3. Inflamação dentro do olho
    A uveíte crônica pode alterar o cristalino e favorecer a catarata. O processo inflamatório também pode causar dor e outras complicações, o que torna o acompanhamento essencial.
  • 4. Trauma
    Perfurações, pancadas e acidentes podem danificar o cristalino. Uma opacidade que aparece após trauma deve ser avaliada sem demora.
  • 5. Alterações congênitas ou nutricionais específicas
    Alguns animais já nascem com alterações no cristalino ou as desenvolvem muito cedo. São situações menos comuns, mas reforçam que catarata não é exclusiva de pets idosos.2

Como a perda visual aparece no cotidiano

Além da mudança na cor, o tutor pode perceber que o cão evita escadas, calcula mal a altura de um degrau, esbarra em móveis deslocados ou demonstra insegurança em ambientes pouco iluminados. Alguns animais se assustam quando alguém se aproxima pelo lado mais afetado.

O CRMV-SP também chama atenção para secreções, desconforto, alteração na coloração, tropeços em baixa luminosidade e tentativa de esfregar os olhos com a pata.1

Sinal importante: vermelhidão intensa, dor, pupila muito dilatada, aumento do olho ou piora súbita da visão não devem ser tratados como uma simples catarata. Essas manifestações podem indicar inflamação, glaucoma ou outra urgência ocular.

O que o oftalmologista precisa descobrir

A consulta não serve apenas para dizer se existe catarata. O objetivo é responder a perguntas que determinam a conduta:

  • A opacidade está realmente no cristalino?
  • Qual é o estágio e o impacto sobre a visão?
  • Há inflamação ou aumento da pressão intraocular?
  • A retina permanece saudável e funcional?
  • Existe diabetes ou outra condição sistêmica associada?
  • O paciente possui condições clínicas para eventual anestesia e cirurgia?

Para isso, o veterinário pode realizar biomicroscopia, teste lacrimal, coloração com fluoresceína, tonometria e exame do fundo do olho. Quando a catarata impede a visualização da retina e há possibilidade cirúrgica, exames como ultrassonografia ocular e eletrorretinografia podem ser indicados.2

Em pacientes idosos ou com doenças preexistentes, exames laboratoriais e cardiológicos ajudam a avaliar o risco anestésico e a planejar o tratamento de forma individualizada.

Quando a cirurgia entra na conversa

Não existe colírio capaz de tornar transparente um cristalino já afetado por catarata. Quando a visão está comprometida e o paciente reúne condições adequadas, a cirurgia é a principal possibilidade de recuperação visual.2

O procedimento mais utilizado é a facoemulsificação. O cristalino opaco é fragmentado e removido por pequenas incisões e, quando indicado, uma lente intraocular é implantada. O Animaniac’s realiza avaliação e cirurgia de catarata em suas instalações, sempre após estudo das condições oculares e clínicas de cada paciente.3

A decisão não depende apenas do grau de opacidade. Saúde da córnea e da retina, presença de inflamação ou glaucoma, condição geral, comportamento do animal e possibilidade de cumprir um pós-operatório rigoroso influenciam a indicação.

O cuidado após a cirurgia exige colírios em horários definidos, medicamentos, colar protetor, restrição de atividades e retornos frequentes. Essa rotina precisa ser considerada pelo tutor antes do procedimento.

Por que não é aconselhável esperar o cão “ficar cego”

Cataratas mais avançadas podem desencadear inflamação intraocular, glaucoma secundário, instabilidade do cristalino e descolamento de retina.2 Algumas dessas complicações reduzem as possibilidades cirúrgicas ou tornam o prognóstico mais reservado.

Avaliar cedo não significa operar imediatamente. Significa acompanhar a evolução, controlar inflamações, investigar doenças associadas e escolher o momento adequado caso a cirurgia seja indicada.

Atenção especial ao cão diabético

Quando um cão recebe o diagnóstico de diabetes, o acompanhamento dos olhos deve integrar o plano de cuidado. Cataratas diabéticas podem evoluir rapidamente e causar inflamação importante.2

O tutor deve informar ao oftalmologista como está o controle glicêmico, quais medicamentos são utilizados e se houve mudança recente na visão. O tratamento exige integração entre a equipe clínica, endocrinológica e oftalmológica.

E quando a mudança aparece nos olhos de um gato?

Gatos também podem apresentar catarata, mas a condição é menos comum do que em cães. Neles, opacidades e mudanças de cor podem estar associadas a inflamação, trauma ou outras alterações internas do olho.1

Como os felinos frequentemente escondem dor e se adaptam às limitações, sinais discretos merecem atenção: hesitação para saltar, preferência por lugares menos iluminados, um olho fechado, pupilas diferentes ou redução das brincadeiras.

No gato, a pergunta não deve ser apenas “é catarata?”. A avaliação pode precisar investigar se o olho está refletindo uma condição sistêmica.

Um mapa simples de decisão para o tutor

Situação percebida Conduta recomendada
Névoa azulada gradual, sem dor Agendar consulta para diferenciar esclerose nuclear, catarata e outras alterações.
Olho branco com dificuldade visual progressiva Procurar oftalmologista e investigar estágio, causa e opções terapêuticas.
Cão diabético com mudança nos olhos Antecipar avaliação oftalmológica; não aguardar perda visual.
Vermelhidão, dor, pupila alterada ou perda súbita de visão Procurar atendimento veterinário imediatamente.
Alteração após trauma Buscar atendimento sem tentar limpar ou medicar o olho em casa.

Dúvidas frequentes dos tutores (FAQ)

Catarata em cachorro tem cura?
A opacidade não desaparece com colírios. Quando indicada e viável, a cirurgia pode remover o cristalino afetado e permitir recuperação visual. O resultado depende da saúde das outras estruturas do olho e da condição clínica do paciente.

Todo cachorro idoso terá catarata?
Não. Muitos cães idosos apresentam esclerose nuclear, que não é catarata. Outros mantêm boa visão ao longo da vida. A idade aumenta a importância do acompanhamento, mas não determina cegueira.

A catarata dói?
A opacidade isolada pode não causar dor, porém complicações como uveíte e glaucoma são dolorosas. Olho fechado, vermelhidão, secreção ou mudança de comportamento justificam atendimento.

Posso usar um colírio humano enquanto aguardo a consulta?
Não. Colírios têm indicações específicas e alguns podem agravar determinadas doenças. Use somente medicamentos prescritos após exame veterinário.

A catarata pode voltar depois da cirurgia?
O cristalino opaco é removido, portanto a catarata não volta no mesmo tecido. Ainda assim, o paciente necessita de acompanhamento porque podem ocorrer alterações inflamatórias ou outras complicações oculares.

O cuidado começa antes de a visão desaparecer

Uma mudança na aparência dos olhos é um convite para investigar, não uma sentença de cegueira. Identificar se o cão apresenta esclerose nuclear, catarata ou outra alteração permite tomar decisões com mais segurança e tranquilidade.

No Animaniac’s, a Oftalmologia está integrada a exames diagnósticos, suporte anestésico, cirurgia e estrutura hospitalar de alta complexidade. Esse cuidado conjunto ajuda a avaliar o paciente por inteiro, respeitando sua idade, sua saúde e sua relação com a família.

O cuidado começa antes de a visão desaparecer

Notou opacidade, mudança de cor ou dificuldade visual? Agende uma consulta com a equipe de Oftalmologia do Animaniac’s nas unidades Mooca, Tatuapé ou Vila Matilde.


Os Planos Super e Ultra da WeVets contemplam consultas com especialistas, incluindo oftalmologista, conforme limites, coparticipações e condições contratuais vigentes. Conheça as opções de plano e confirme a cobertura aplicável ao seu pet.

Referências